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22 de outubro de 2015 Nacional

No ano, 17 indústrias já fecharam as portas

De acordo com dados do Sindipeças, em 2014, 13 autopeças decretaram falência. O fim das atividades de número maior de empresas, entre janeiro e julho de 2015, elevou as demissões

São Paulo – Empresas da cadeia de autopeças já estão fechando as portas devido a crise e as demissões continuam. Apesar disso, representantes do setor projeta uma ligeira melhora do cenário para o ano que vem, apoiada no segmento de reposição e nas exportações.

De acordo com o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, 13 empresas fecharam em 2014 e, até julho deste ano, pelo menos 17 fabricantes decretaram falência.

“Este foi um ano muito ruim, que precisa acabar logo”, avaliou o dirigente durante o congresso da agência de notícias Autodata.

Desde 2013, último ano em que o setor de autopeças registrou crescimento, as indústrias demitiram 56 mil funcionários. Na visão de Butori, o volume maior de demitidos está entre as empresas de maior porte, que são mais capitalizadas.

Ele admite que há problemas na base da cadeia, nos níveis 2 e 3. Na última terça-feira (20), o presidente da sistemista Bosch, Besaliel Botelho, afirmou que a situação está cada vez mais difícil entre as empresas do setor.

“Diversos fabricantes ficaram no caminho. Tivemos que trocar alguns fornecedores, que não conseguiam mais nos atender”, reclamou o executivo. Ele acrescenta que, diante do cenário atual, a Bosch projeta uma queda em torno de 10% para 2015. “Também não esperamos uma retomada para o ano que vem”, ponderou.

Butori observa que o programa Inovar-Auto não trouxe, de fato, benefícios para a cadeia de autopeças. “Os projetos novos devem ter mais nacionalização. Mas os que já estão em curso não trouxeram aumento de conteúdo local”, diz.

Câmbio

Segundo o presidente do Sindipeças, a apreciação do dólar frente ao real tem favorecido uma nacionalização maior de componentes. “Importar peças com o câmbio atual tira a competitividade das empresas”, avalia. A alta da moeda norte-americana também será o responsável pela redução do déficit da balança comercial, informa o Sindipeças. Neste ano, a diferença negativa deve ficar em US$ 5 bilhões. Para 2016, a projeção é de US$ 3 bilhões de déficit do setor.

Paulo Butori salientou ainda que os acordos comerciais fechados recentemente pelo setor automotivo, com Colômbia e México, por exemplo, “parecem mais do mesmo”.

O dirigente estima que, para o ano que vem, o faturamento da indústria de autopeças deva registrar um crescimento de 2% na comparação com o desempenho de 2015, para cerca de R$ 62,9 bilhões. “Esta projeção leva em conta a base fraca deste ano”, concluiu.

 

Juliana Estigarríbia DCI