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13 de janeiro de 2017 Nacional

O empresário contábil precisa acordar!

Postado em 13/01/2017 – Fonte: Contabilidade na TV

O Contabilidade na TV entrevistou os presidentes da Fenacon e do Sescon-SP

Magda Battiston para Notícias Contábeis do Contabilidade na TV – 12/01

Hoje é o “Dia do Empresário Contábil”, um empreendedor que trabalha gratuitamente para o Fisco e com alto risco de ser corresponsável pelas ações de seus clientes. Este empresário que é pressionado por mudanças constantes na legislação que em nada simplificam a viabilidade dos negócios no país depende, atualmente, da forma como enxerga seu negócio, pois está diante de mudanças desafiadoras, das quais pode se lamentar infinitamente, ou de ricas oportunidades, com as quais pode crescer e se diferenciar no mercado. De qual lado você vai ficar?

O Contabilidade na TV entrevistou os empresários contábeis Mario Elmir Berti, que também é presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas – Fenacon; e Márcio Shimomoto, presidente do Sescon São Paulo; para mostrarem o que pensam destes desafios e oportunidades. Também conversamos com os empresários que atuam diretamente no mercado contábil. Um é desenvolvedor das ferramentas de trabalho essenciais para toda a empresa contábil, são os sistemas de folha de pagamento, escrita fiscal, contabilidade e outras tecnologias web, Elinton Marçal, da SCI Sistemas Contábeis; e, Marcelo Lombardo, da Omie Experience, também do ramo de tecnologia, mas que atua nos clientes da contabilidade, com sistema de ERP integrados a contabilidade. Nestes depoimentos é perceptível a urgência com que o empresário contábil deve acordar para as mudanças e se reposicionar. Confira.

QUAL DEVE SER O FOCO DO EMPRESÁRIO CONTÁBIL EM 2017

• GESTÃO: Diante de um cenário de instabilidade política e econômica, com tendência de grandes mudanças nas propostas deste novo Governo “reformista” é preciso que os empresários contábeis pensem como gestores. O presidente do Sescon SP, Márcio Massao Shimomoto acredita que melhorar a gestão deve ser o foco para 2017: “Melhorar a gestão da empresa contábil, mas também auxiliar na gestão dos seus clientes. O ano de 2017 vai ser de muitos desafios e precisamos ajudar os clientes a passar por essa fase, bem como nós mesmos precisamos investir mais em capacitação tanto dos colaboradores como dos empresários contábeis. É o momento de preparar a empresa contábil para o crescimento que certamente acontecerá a partir do final do segundo semestre para o início de 2018”.

Para Marcelo lombardo, da Omie Experience sem gestão não haverá eficiência: “O foco deve ser na eficiência operacional, pois com isso o empresário contábil vai conseguir manter ou ampliar a sua margem de lucro e ser mais competitivo no mercado”.

• TECNOLOGIA: Os serviços contábeis estão bem diferentes. Abrindo a janela para um futuro próximo podemos imaginar empresas de consultores contábeis, pois a parte de digitação e encaminhamento das informações será feita totalmente por sistemas integrados e online, precisando apenas de conferência e interpretação, desta forma o diferencial estará em atender os diferentes públicos, os que desejam atendimento pessoal e personalizado e aqueles que nem querem falar com o contador, olhando por este prisma, o diretor de tecnologia e marketing da SCI Sistemas Contábeis, Elinton Marçal é enfático: “O empresário contábil precisa focar em nichos de mercado, investir em tecnologia e treinamentos, deixar a tecnologia fazer o serviço repetitivo e investir na inteligência humana surpreendendo os clientes fazendo parte da gestão”, então atenção para as necessidades dos clientes.

Existem novos caminhos sendo abertos pela tecnologia, e por aí temos inovações importantes para a vitalidade da empresa contábil, explica o CEO da Omie: “Os avanços tecnológicos como a integração total de dados financeiros e fiscais entre cliente e contador são o maior aliado no ganho de eficiência tão desejado pelos empresários contábeis. Com esse salto, o contador vai poder se tornar mais consultivo e participar mais das decisões estratégicas de seus clientes”.

• CLIENTES: Pensando num mercado diferenciado, com contas de valor agregado, o empresário contábil deve se lançar ao modelo “retrô” de atendimento. Munido de alta tecnologia, o diferencial estará na personalização dos serviços, na extrema confiança de seus clientes e na parceria, como explica Mário Elmir Berti, presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas – Fenacon: “O foco deve ser prioritariamente em estabelecer parcerias com seus clientes, pois o contador possui ferramentas e informações que são muito úteis para a gestão dos negócios dos empresários e nem sempre eles se utilizam da contabilidade como direcionamento de metas e estratégias”. O contador deve conhecer muito o negócio de seu cliente, pois isso ajuda consideravelmente na questão tributária, inclusive contabilidades especialistas em nichos, como construtoras, supermercados, farmácias, e outros, já são realidade.

TECNOLOGIAS E TRIBUTOS: DESAFIOS E OPORTUNIDADES

Dá até medo de pensar, mas vamos lá! Para isso precisamos estar munidos de conhecimento, equipe treinada e muito motivada, pronta para mudar constantemente e aprender sempre, então o pessoal das antigas vai ter que se mexer e se misturar com a nova geração de profissionais contábeis (aqueles que cresceram diante dos computadores, videogames e internet) e os novatos terão que buscar a “expertise” de mercado do pessoal da casa: um vai precisar do outro e o outro do um… mas das divagações aos fatos.

• MAIS MUDANÇAS, MAIS VALOR: O presidente da Fenacon acredita que quanto mais trabalho, maior a valorização da profissão, por isso as mudanças são bem vindas: ”Se por um lado as exigências tributárias, leia-se aqui as obrigações acessórias, inclusive, trazem mais trabalho e mais exigência de investimentos em pessoal e tecnologia, por outro lado, traz a tona a enorme importância do papel que desempenhamos na consecução destas tarefas. A tecnologia, que passou a ser custo ao invés de investimento, estará a exigir cada vez mais as nossas atenções e a necessidade constante de olhar com muito mais atenção para este particular”.

• CONTABILIDADE ON-LINE: Para o presidente do Sescon SP um caminho a ser estudado e trilhado! “As tecnologias avançam a cada minuto sendo lançados produtos cada vez melhores e que procuram automatizar os processos manuais, tanto nas empresas contábeis, como nos seus clientes, facilitando a interface entre cliente/contabilidade, levando o conceito da contabilidade online para todas as empresas contábeis que terão a missão de utilizar a tecnologia para agregar mais serviços e valorizar mais os nossos serviços”.

• GESTÃO NA MÃO: Empresas contábeis são difíceis de administrar, principalmente com tantas mudanças, porém é preciso que haja organização e métodos, além de uma gestão que tenha a participação das lideranças da empresa contábil e seus consultores em decisões importantes, pois o engajamento da equipe é fundamental para a produtividade da empresa. Todos precisam querer que as coisas funcionem e quando se trata de sistemas é necessário ter muita parceria (a mesma que os contadores terão que buscar com seus clientes – modelo “retrô”). O diretor de tecnologia e marketing da SCI explica: “Os sistemas contábeis são gigantes e por isso necessitam investimentos em treinamentos constantes para que os profissionais operem corretamente os sistemas e também utilizem o máximo de sua capacidade. As oportunidades são claras, as empresas contábeis precisam profissionalizar a sua gestão. O sistema é a principal ferramenta da empresa de contabilidade, é extremamente técnica e gigantesca, por isso acredito que deter uma tecnologia especialista e avançada faz parte da oportunidade dos empresários contábeis obterem sucesso. Na área tributária sem dúvida é a consultoria, fazendo aproximação do cliente, até porque as mudanças sugerem esta postura”.

• Bloco K e Esocial: Assunto muito bem lembrado pelo presidente do Sescon SP: “Não podemos esquecer que em 2017 entra o bloco K para as grandes empresas industriais, distribuidoras e algumas atacadistas, sendo necessário preparar os clientes para gerar as informações necessárias. Temos também o eSocial que no cronograma atual entra em 2018, portanto 2017 é o ano de preparação da base de dados de nossos clientes e também de conscientização das mudanças nas rotinas trabalhistas que deverão ocorrer para atender mais essa obrigação”.

O QUE ESPERAR DAS REFORMAS PROMETIDAS PELO GOVERNO

Pode-se dizer que existe uma certa vontade de alguns setores do governo no sentido de minimizar a burocracia, mas não sabemos se irão conseguir, Mario Berti pensa que agora o governo começa a enxergar a importância das micro e pequenas empresas: “Permitir que elas tenham condições de trabalho e desenvolvimento é fundamental. Acredito que avançaremos neste sentido. Inclusive, nós encomendamos uma pesquisa e uma pauta de sugestões para o governo no intuito de colaborar para uma melhor oxigenação para as empresas”.

Márcio Shimomoto vê as mudanças prometidas com otimismo: “O governo está ciente de que precisam diminuir a burocracia e facilitar a vida do empreendedor. Teremos muitas mudanças nesse sentido. Uma reforma trabalhista já iniciada, uma reforma previdenciária sendo debatida, uma reforma tributária já sendo desenhada. Todas essas reformas implicarão em alterações na legislação que teremos o desafio de levar para os empreendedores no decorrer de 2017”.

Mas há também a descrença, como a expressada por Elinton Marçal: “Migrar burocracia do papel para tecnologia continua sendo burocracia, e é isso que eu enxergo hoje”. Para ele o Brasil é um país muito instável que demora muito para mudar e quando muda geralmente é para pior.

Realmente, o que temos visto até o momento é a pressa do governo em arrecadar e para isso a tecnologia tem sido uma importante aliada. Marcelo Lombardo considera que as empresas podem esperar uma grande melhoria do governo, mas no sentido de automatizar a máquina arrecadatória, entregando cada vez mais as apurações prontas (ou muito próximo disso) para os contribuintes: “Nesse sentido, o empresário contábil que não se preocupou em se posicionar estrategicamente junto à gestão do seu cliente pode perder relevância e até receita. Por isso 2017 é o ano de reposicionar estrategicamente o seu escritório!” 

UMA MENSAGEM PARA O EMPRESÁRIO CONTÁBIL

“Apesar da crise, podemos fazer dela uma oportunidade de novos negócios. Reclamar não resolve. Aliás, quem reclama muito de sua profissão tem enorme dificuldade para vender seu produto. Antes de reclamar, estude mais, invista mais e acredite no seu próprio potencial. Participe das entidades de classe, seja contribuindo da forma que você tem condições, ou mesmo enviando sugestões e colocando-se ao dispor para também ajudar a fazer a nossa profissão, ainda mais valorizada do que já é”. Mario Elmir Berti, presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas – Fenacon.

“Os serviços contábeis nunca foram tão essenciais como nesse momento e temos muitos grandes desafios para o ano de 2017. Sei também que o empresário contábil sempre se adapta, atende e vence todos os desafios apresentados. É o momento de melhorar a capacitação dos recursos humanos empregados nas empresas contábeis para, cada vez mais, agregar valor aos serviços prestados e ajudar os empreendedores a vencer os desafios conosco”. Márcio Massao Shimomoto, presidente do Sescon SP e Aescon SP.

“Acredito que a contabilidade nunca foi tão valorizada, mas isso passa por uma mudança cultural violenta. Se antigamente o Contador tinha que confeccionar livros, agora ele precisa de expertise tecnológica. Todos que investirem corretamente terão o seu lugar ao sol”. Elinton Marçal, diretor de tecnologia e marketing da SCI Sistemas Contábeis

“Todos sabemos que a maior dificuldade da PME no Brasil é sua gestão. E vocês, empresários contábeis, estão em contato com 100% das PMEs e conhecem profundamente esse cenário. Com o aumento crescente da relevância das PMEs na economia brasileira, a classe contábil assume a posição mais estratégica do país para fomentar o progresso e o crescimento do nosso país. Vamos ser otimistas e acreditar em um Brasil construído por nós, empresário e contadores, unidos e integrados!” Marcelo Lombardo, CEO da Omie Experience.