Você está aqui: DDuwe Contabilidade » Notícias

16 de julho de 2014 Nacional

Empreendedores devem ficar atentos a impostos e regras

Fernanda Bompan

O empreendedorismo é crescente no País. Contudo, especialistas chamam atenção para algumas questões que esses executivos pouco observam antes de abrir seu próprio negócio.
Para o professor da FAAP, Thiago Costa, e sócio diretor da agência Evcom, esses alertas estão relacionados tanto aos aspectos pessoais do empresário – tal como verificar se tem o perfil empreendedor -, quanto estudar as regras estabelecidas pelos governos – a exemplo das legislações tributárias e trabalhistas.
“Existem vários casos que a pessoa resolve ter seu próprio negócio depois de se aposentar ou quando é demitido, mas ele precisa pensar em diversos fatores e ver se corresponde a esse perfil. É preciso saber que você será seu próprio chefe. Se tiver problemas com computador ou com telefone ou até a limpeza do estabelecimento serão sua responsabilidade. Facilidades da grande corporação não existem mais”, cita.
Sérgio Approbato Machado Júnior, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP) também alerta para essas questões pessoais. “Contudo, saber as legislações ligadas à sua atividade, os riscos do negócio também é importante.”
Costa afirma que nos primeiros dois anos de sua empresa, por conta da falta de conhecimento no pagamento de impostos, o governo era como fosse seu “sócio majoritário”. Ou seja, tudo que ganhava ia para pagar tributos. “Assim que contratei um contador eficiente, minha rentabilidade subiu imediatamente 25%. Por isso é bom contratar bons especialistas”, aconselha, cuja opinião é endossada por Machado Júnior.
Por outro lado, a legislação trabalhista é uma das principais questões que poucos empresários observam e que o governo precisa reformular, segundo o sócio diretor da Evcom. “Os encargos trabalhistas são nosso calcanhar de Aquiles. O custo de um funcionário chega a ser o dobro do seu salário. Muitas vezes o empresário opta por não crescer porque não tem como contratar mais empregados”, diz. “O governo deveria fazer uma mudança que diminuísse a carga tributária para pequenas empresas na hora de contratar”, sugere.
De qualquer forma, Costa aponta que a alta carga tributária e burocracia são os maiores problemas que ele e seus clientes enfrentam no País. “Os processos estão melhorando, mas toda vez que pede uma certidão, precisa reconhecer, é um trabalho desnecessário”, exemplifica o professor e executivo.
Entraves
De acordo com pesquisa feita pelo Sescon-SP com os associados, a carga tributária e a burocracia são os principais entraves para os negócios, que afetam principalmente as empresas de pequeno a médio porte, mesmo as que estão no Simples Nacional, conforme o presidente do sindicato.
A enquete mostrou que dos 600 entrevistados, 42% citaram a alta carga tributária como grande vilão da empresa. Outros 26% apontaram ainda a burocracia. “Existem três legislações que precisam ser observadas, e estão em constante alteração, que são a tributária, trabalhista e previdenciária. Se a empresa é pequena e mesmo que tenha atualizado sua gestão, pode ter dificuldades para fazer mudanças rápidas, por não contar com grandes departamentos”, entende Machado Jr.
A falta de mão de obra qualificada, problema enfrentado por quase todos os setores, foi mencionada por 17% das empresas consultadas. Com 10% das respostas, a infraestrutura do País ficou em quarto lugar e por último, a falta de crédito foi citada por 5% dos entrevistados. “Neste último caso, afeta ainda mais as pequenas empresas, por terem dificuldade de conseguir o crédito e quando conseguem os juros são mais altos do que seria para grandes companhias, porque a instituição financeira avalia o risco da operação”, afirma.
Para ele, uma reforma tributária ampla traria muitos benefícios para o País, entre eles a criação de um ambiente mais atrativo para a entrada de investidores estrangeiros. “A simplificação do sistema tributário é uma necessidade para o desenvolvimento sustentado. Não precisamos de aumento na arrecadação, mas de eficiência na gestão dos recursos.”

Fonte: DCI – SP